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Fake News. Media em Portugal “fizeram o contrário do que deviam ter feito”, diz Paulo Pena

Os media em Portugal “fizeram o contrário do que deviam ter feito” em resposta à era de (des)informação em que vivemos, considera Paulo Pena, autor de “Fábrica de mentiras: viagem ao mundo das ‘fake news’”.

Data: 08.11.2019

Fake News. Media em Portugal “fizeram o contrário do que deviam ter feito”, diz Paulo Pena

O livro, editado pela Objectiva e que será lançado no sábado, na Livraria Almedina, em Lisboa, é o resultado de uma investigação sobre as chamadas fake news — informações intencionalmente falsificadas ou manipuladas — em Portugal, iniciada há um ano pelo jornalista Paulo Pena, que tem publicado regularmente sobre o assunto no 'Diário de Notícias'.


Um ano depois, Pena confessa-se, em entrevista à Lusa, “muito mais assustado” do que quando começou a investigar o assunto. “Não só com a existência de uma fábrica das mentiras, de um processo organizado”, refere. “O que eu não sabia antes é que há todo um sistema posto em prática pelas plataformas mais importantes, o Google e o Facebook, de financiamento deste tipo de atividade. Ou seja, por cada clique que uma notícia falsa tenha, o Google paga uma verba em publicidade a essas pessoas que criam as mentiras e isso alimenta o negócio”, atesta.


E como tem respondido no jornalismo? Com uma "espécie de kebab, carne cortadinha aos bocadinhos, que é toda junta com farinha e qualquer coisa e depois fica a rodar num rodízio de grelha durante o dia inteiro e depois é cortada às fatiazinhas pequeninas e é oferecida como refeição de baixo custo”, descreve. “Isto é o contrário do que os jornais deviam ter apostado: deviam ter apostado na profundidade, na capacidade de fazer temas diferenciadores, eles próprios serem diferenciadores uns dos outros e não serem todos iguais, a darem as mesmas notícias, a fazerem-no da mesma forma”, critica.


Porém, os órgãos de informação em Portugal “fizeram o contrário do que deviam ter feito, que foi apostar num modelo de informação (…) que tem o seu modelo de negócio assente nos cliques, no chegar a mais pessoas”, observa.


Fonte: Sapo24



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