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WhatsApp supera Facebook como rede social preferida de crianças e adolescentes no Brasil

Pesquisa TIC Kids online mostra queda do percentual de internautas registrados na rede de Mark Zuckerberg na faixa etária entre 9 e 17 anos

Data: 20.09.2019

WhatsApp supera Facebook como rede social preferida de crianças e adolescentes no Brasil

O longo reinado do Facebook como rede social preferida dos brasileiros está ameaçado, revelam dados divulgados nesta terça-feira no estudo TIC Kids Online . Entre crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, a plataforma criada por Mark Zuckerberg foi ultrapassada pelo WhatsApp — considerado no estudo como rede social — e vê o Instagram se aproximando rapidamente, ambos os serviços também propriedades do Facebook. O Snapchat , que em outros países tem rivalizado com a rede de Zuckeberg, por aqui não atrai tanto a atenção e vem perdendo mercado.


"Na série histórica, a tendência é de manutenção do WhatsApp, de crescimento do Instagram e de forte queda do Facebook", afirma Fábio Senne, coordenador de projetos de pesquisas do Cetic.br. — Nós temos outras pesquisas que mostram o Facebook como a principal rede social do país entre os adultos, mas entre crianças e adolescentes ele vem perdendo espaço.


Nessa faixa etária, 79% dos internautas brasileiros possuíam conta no Facebook em 2015, percentual que despencou para 66% no ano passado. O WhatsApp se manteve estável, com 71% em 2015 e 70% nesta última edição do estudo, o suficiente para alcançar o posto de queridinho entre crianças e adolescentes. O Instagram, que era usado por 37% dos internautas, agora está nos smartphones de 45% dos brasileiros nesta faixa de idade. O Snapchat perdeu quatro pontos percentuais, passando de 27% para 23%.


Redes sociais em que crianças e adolescentes possuem perfil



Facebook perde espaço, WhatsApp assume ponta e Instagram cresce


Em geral, as redes sociais são proibidas para menores de 13 anos, mas 58% dos internautas entre 9 e 10 anos e 70% dos que têm entre 11 e 12 anos dizem possuir contas nesses serviços. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o percentual chega a 97%.


Preocupação com privacidade


Um ponto positivo é que a preocupação com segurança e privacidade parece estar aumentando. Em 2013, 93% dos jovens internautas divulgavam em redes sociais fotos que mostravam bem o rosto, percentual que se mantém alto, em 75%, mas com queda acentuada. O nome da escola, informação sensível por questões de segurança, era informado por 52% dos internautas, agora apenas 24% mantêm a prática.


Mas as condutas de risco persistem. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, 15% afirmam ter enviado fotos ou vídeos para pessoas que não conhecem pessoalmente e 38% dizem adicionar desconhecidos às listas de amigos e de contatos em redes sociais. Além disso, 6% contaram ter enviado dados pessoais para desconhecidos.


"Existe um cenário positivo, de diminuição de informações compartilhadas. Isso pode indicar uma maior preocupação com a segurança e a privacidade" avalia Senne. "Mas no questionário sobre habilidades, uma das menos mencionadas é sobre saber mudar as configurações de privacidade. Quase 40% dos entrevistados não sabem como fazer isso".


Dados compartilhados em redes sociais por crianças e adolescentes
Números indicam utilizadores mais preocupados com privacidade



Entre os pais, é interessante notar a existência de uma diferenciação de gênero nos cuidados com os filhos e filhas. Pais de meninas demonstram maior preocupação, dando mais orientações sobre o uso da rede, em comparação com pais de meninos. 73% dos pais de meninas, por exemplo, conversam com as filhas sobre o que elas fazem na internet, enquanto com pais de meninos o percentual é de 62%. E 67% se dizem prontos a ajudar as filhas quando algo que aconteceu na rede as incomodou. Para os pais de meninos, o índice é de 58%.


Em geral, 86% das crianças e dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos acessam a internet. Na faixa etária entre 15 e 17 anos, o percentual é de 94%; entre 13 e 14 anos, 88%; entre 11 e 12 anos, 81%; e entre 9 e 10 anos, 77%. Nas classe A e B, 98% das crianças e adolescentes estão conectados, enquanto nas classes D e E o percentual é de 73%. As diferenças regionais persistem, com 75% dos brasileiros nessas faixas de idade conectadas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sul, Sudeste e Centro-Oeste os percentuais são de 95%, 94% e 94%, respectivamente.


Acesso na palma da mão


Se em 2013 o computador era o principal dispositivo de acesso, com 90%, o celular hoje é usado por 93% das crianças e adolescentes para a navegação na internet. Nos últimos anos, os televisores inteligentes estão ganhando destaque, partindo de 3% das fontes de conexão em 2013 para 32% no ano passado, se aproximando dos computadores, que respondem agora por 44% dos canais de acesso.


A principal atividade das crianças e adolescentes na internet é assistir vídeos, programas, vídeos ou séries, prática de 83% dos internautas nesta faixa etária, praticamente empatada com ouvir música on-line, com 82%. Esse número se reflete na publicidade. Pela primeira vez, crianças e adolescentes tiveram mais contato com propagandas por sites de vídeos (67%, nos 12 meses anteriores à pesquisa) do que pela televisão (64%). Em 2013, os percentuais eram de 85% para a televisão e 61% para sites de vídeos.


"É interessante notar que o consumo de vídeos é alto em todas as faixas etárias. Seja entre crianças de 9 e 10 anos ou adolescentes de 15 a 17 anos, se há um ponto comum no uso da internet é no consumo de conteúdo multimídia", afirma Senne.


A pesquisa TIC Kids Online entrevistou 2.964 crianças e adolescentes, sempre acompanhados por ao menos um dos pais ou responsável. A coleta das informações aconteceu entre outubro de 2018 e março de 2019.


Fonte: O Globo



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