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Há soluções para os desafios da cobertura 5G com ondas milimétricas

Testes com 5G estão acontecendo a todo o momento e em vários países, mas ainda há percepção negativa sobre o comportamento das frequências mais altas.

Data: 14.09.2018

Há soluções para os desafios da cobertura 5G com ondas milimétricas

As principais preocupações em relação às ondas milimétricas eram em relação ao alcance das antenas, incluindo em distâncias fora do campo de visão (NLOS – non-line of sight); interferência com a folhagem de árvores; handover entre torres; e a penetração em residências. Segundo o vice-presidente de estratégia, desenvolvimento de negócios e marketing da Samsung Electronics America, Alok Shah, boa parte desses problemas foram solucionados ou contornados, pelo menos nos testes em 28 GHz da fabricante sul-coreana. A companhia conta com pelo menos nove testes nos Estados Unidos com diferentes faixas: 28 GHz em 5G FWA e NR; 39 GHz; 2,5 GHz e 3,5 GHz (chamada de CBRS em sua porção de 150 MHz de 3.550 MHz a 3.700 MHz) – ou seja, testes com todas as maiores operadoras (AT&T, Verizon e Sprint), menos a T-Mobile, que corre por fora com faixa de 600 MHz.


Até pelo que se sabe com a transmissão ponto a ponto em micro-ondas em frequências altas, havia preocupação em relação ao alcance da cobertura em mmWave. Shah garante que inovações técnicas em algoritmos e sintonia fina dos aparelhos permitiram resultados melhores do que o esperado, chegando a um alcance de 800 m (a expectativa era de 50 m). "Claro que nem sempre vai funcionar tão bem deste jeito, mas é um bom resultado", avalia. No NLOS, o resultado também foi promissor, afirma.


Outra preocupação é com a densidade de antenas. Alok Shah ressalta que querer cobrir os EUA inteiro com 28 GHz é "um absurdo", e que as operadoras se valerão naturalmente de diferentes soluções de acordo com a demanda. Ele cita testes em ambiente urbano da capital da Coreia do Sul, Seul, em que conseguiu cobertura "quase tão boa" do que com LTE, conseguindo disponibilidade de download de 99% com uma CPE em um carro e 94% em um tablet, andando em uma calçada. Também solucionado está o handover: a Samsung realizou testes em um autódromo coreano, conseguindo manter a conexão em um veículo a 200 km/h sem maiores problemas.


Impactos negativos


A folhagem, por outro lado, apresentou-se como um desafio mais complicado. A solução encontrada foi contornar o problema: em vez de instalar as antenas em pontos mais altos, como tradicionalmente é feito em LTE, a Samsung acredita que é melhor colocá-las abaixo da copa das árvores. "Isso vira benefício, porque as próprias árvores refletem o sinal e conseguem trazer impacto positivo na cobertura", alega.


Penetração indoor também foi uma complicação, dependendo dos materiais da residência. "Em paredes não traz grandes problemas, é até melhor do que o vidro. O Low-E Glass (vidro baixo emissivo, utilizado mais em países de clima frio e que contém óxido metálico em uma das faces) é um problema", declara Shah. O executivo também sugere contornar a questão, desta vez com espécies de repetidores que podem ser internos ou externos. Equipamentos deste tipo já deverão ser vendidos a partir do dia 1 de outubro, com o lançamento da rede 5G da Verizon. "Ainda achamos que a grande maioria das residências ficarão apenas com o roteador interno, mas algumas terão que ficar para fora."


Caso britânico


O governo britânico promete comprometimento com a 5G para chegar a pelo menos compartilhar liderança da 5G. Os investimentos previstos para a próxima geração de infraestrutura digital é de 1,1 bilhão de libras, com 31 bilhões dedicados ao fundo de produtividade nacional. O governo espera um total de 8,7 trilhões de valor de ativos e serviços até 2035. Ao menos seis locais na Grã-Bretanha estão com testes em 5G. Entre os principais achados dos testes realizados pela Worcestershire Local Enterprise Partership (WLEP), uma iniciativa entre parceria privada e o condado local, na Inglaterra, e que constitui um conselho de 5G para o governo britânico, foi a mudança de modelo. "Não dá mais para ficar apenas no modelo de pressionar. As empresas querem 5G para ajudar a resolver problemas, e agora vamos ver como resolver", declarou o chair da Worcenstershire 5G Testbed, Mark Stansfeld.


Os executivos mostraram seus achados durante painel sobre trials de 5G nesta quinta-feira, 13, na Mobile World Congress Americas.


Fonte: Teletime



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