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“Wellness’ ganha terreno, mas jovens também privilegiam tecnologia

Atualmente, os planos de benefícios flexíveis são “claramente uma tendência”, porém, dentro desses planos “temos vários benefícios que são mais ou menos valorizados”, adverte Ana Amado, consultora sénior da Willis Towers Watson.

Data: 16.04.2018

“Wellness’ ganha terreno, mas jovens também privilegiam tecnologia



Em seu entender, tem-se verificado um crescente interesse nos benefícios associados à saúde, bem-estar e wellness, sendo que também se destacam a tecnologia, equipamentos e pacotes de internet,  especialmente valorizados por empresas onde a idade média é mais baixa.


Com o foco nas preferências por parte dos colaboradores, a responsável aponta, com o mais selecionados o seguro de saúde, quer seja para o colaborador ou para o agregado familiar, mas sublinha que os vales sociais continuam a evidenciar-se, apesar de se ter verificado uma ligeira perda de interesse, face a 2017, devido à revogação dos benefícios fiscais em sede de IRS dos vales educação; assim como o plano de pensões que “sempre que bem desenhado e comunicado é bastante valorizado”. Neste caso, acrescenta, “é importante não esquecer que, em Portugal, a maior parte da população ativa não teve uma educação financeira que a sensibilizasse para o tema da poupança, especificamente, da poupança para a reforma. Por outro lado, atualmente o Estado também não promove incentivos significativos à poupança. Cabe assim às empresas refletirem sobre a sua responsabilidade social sobre o tema”.


A abrir novos caminhos, estas preferências refletem-se, por exemplo no caso da saúde, numa crescente oferta de produtos que procuram targets específicos. “Temos hoje seguros orais, seguros com apenas cobertura de hospitalização, seguros oncológicos, introdução de cobertura de check-ups, fundamental na prevenção. Assistimos também a uma crescente preocupação nas organizações em prevenir as lesões músculo-esqueléticas, em fomentar protocolos com ginásios, entre outros”, remata.



Com este pano de fundo, e apesar de considerar que “não existe uma receita”, já que cada empresa tem a sua cultura, objetivos, e guidelines internacionais (no caso de uma multinacional), Ana Amado afirma que cada empresa deverá identificar como se pretende posicionar face ao mercado e à concorrência, no que respeita a remuneração base e benefícios. Na certeza porém de que os benefícios extrassalariais podem “efetivamente” fazer na captação e retenção de talento. Atendendo à crescente necessidade de personalização, sem esquecer que um colaborador terá em determinados momentos da vida características e gostos que podem ir mudando, sublinha ser necessário “recriar pacotes de benefícios que gerem valor organizacional e social, permitindo a possibilidade de escolha e canalização de valor para os benefícios que mais valorizam”. No entanto, ressalva, tal só é possível através de planos de benefícios flexíveis. “As organizações que promovem a flexibilização dos benefícios sabem que este diferencial permite uma maior valorização do pacote retributivo e, consequentemente, asseguram uma maior atração e retenção de talentos”, conclui, recordando que desde a recente crise económica que o tecido empresarial tem mostrado o quanto é criativo, introduzindo, por exemplo, a flexibilidade no conceito de retribuição, acabando por ser percecionadas como empresas inovadoras, com boas práticas de mercado, e que mais facilmente atraem e retém os melhores recursos.


Fonte: O Jornal Económico






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