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É um desperdício pedir aos alunos que guardem os “smartphones” nas aulas, diz professora

A professora Adelina Moura defendeu hoje que os telemóveis e tabletes são aliados do ensino de Português e é um desperdício não aproveitar o potencial das tecnologias que os alunos levam para as aulas

Data: 14.11.2017

É um desperdício pedir aos alunos que guardem os “smartphones” nas aulas, diz professora

"É um desperdício estarmos a pedir aos alunos que guardem os seus "smartphones" nas mochilas", disse à agência Lusa Adelina Moura, sublinhando que se trata de tecnologia "levada pelos alunos a custo zero para as escolas" e que pode ser incorporada no ensino da Língua Portuguesa, como de outras matérias.
A professora da Escola Secundária Carlos Amarante, de Braga, é uma das oradoras das III Jornadas de Língua Portuguesa Investigação e Ensino, promovidas pela Cátedra Eugénio Tavares, do Instituto Camões em Cabo Verde, que decorrem entre hoje e quarta-feira na cidade da Praia.
Este ano dedicadas à produção de materiais didáticos para o ensino de Português como língua segunda, as jornadas incluíram, durante a manhã de hoje, um painel reservado ao papel das tecnologias móveis na aprendizagem do Português a cargo de Adelina Moura.
À Lusa, a professora explicou que as técnicas e métodos usados nas suas aulas partem do princípio de que "se não os podes vencer, junta-te a eles" e promove o "uso positivo" destes dispositivos nas salas de aula.
"Por exemplo, antes de falar de determinado autor, alunos vão pesquisar e vão usar a ferramenta "padlet", que é um mural, onde colocam as suas pesquisas e estamos todos a ver o que está a ser publicado. Depois há uma série de aplicações que podemos usar na sala de aula que permitem responder a questionários e perceber se estiveram atentos e se a informação passou e foi assimilada", explicou.
Para Adelina Moura, o principal é manter "os alunos ativos e participativos" nas aulas, orientando-os e corrigindo resultados de pesquisas menos corretos cientificamente.
"É nessa altura que aproveito para falar na importância do contraste das fontes, na capacidade de ter espírito crítico acerca daquilo que se pesquisa e saber separar o que está correto e menos correto. Esta atividade permite fazer o levantamento de uma serie de questões ligadas à literacia informacional", adiantou.
Mas, ressalvou a professora, o uso dos telemóveis e tabletes obedece a um regulamento elaborado em conjunto com os alunos e que prevê um sistema de pontos, que penaliza o mau uso.
"A ideia é que eles sintam que têm uma ferramenta muito potente, mas que tem que ser usada positivamente. Eles sabem que se usarem indevidamente perdem pontos e eles não gostam de perder pontos", disse.
Adelina Moura é licenciada em Ensino Integrado de Português e Francês e tem desenvolvido investigação em "mobile learning".
A professora leciona Português e Francês na Escola Secundária Carlos Amarante, em Braga, e, em 2005, foi premiada pela Microsoft no concurso de Professores Inovadores.
Além do uso de telemóveis e tabletes, a professora recorre também a áudio e vídeo-aulas e mantém ativo um site e um blogue da sua disciplina, bem como um canal sempre aberto com a professora para esclarecer dúvidas.
Amélia Lopes, a responsável pela cátedra Eugénio Tavares, criada em parceria entre a Universidade de Cabo Verde e o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, assinalou os desafios ao ensino da língua portuguesa em Cabo Verde.
"O desafio é conseguir levar aos professores a ideia de que é possível produzir materiais didáticos direcionados para o Português língua segunda e associar a essa produção de materiais didáticos as novas tecnologias de educação, tornando o ensino do Português mais interessante, menos chato e capaz de atrair mais os estudantes de língua portuguesa", disse.
Cabo Verde tem em curso a reforma do sistema de ensino, que prevê que a Língua Portuguesa passe a ser ensinada como língua segunda a partir do pré-escolar, um projeto que está a ser apoiado pelo instituto Camões, que fornece assistência técnica na elaboração de materiais, métodos, programas e currículos.
Apenas uma pequena percentagem das crianças cabo-verdianas tem o Português como língua materna, sendo que a maioria fala crioulo.


Fonte: Sapo Tek 



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